As Origens Remotas
A história do Livro de São Cipriano começa muito antes da sua forma escrita. As práticas mágicas que ele compila remontam aos povos pré-romanos da Península Ibérica — celtas, lusitanos, tartéssios — que tinham as suas próprias tradições de magia, adivinhação, e comunicação com o mundo dos espíritos.
Com a romanização, estas tradições locais fundiram-se com a magia greco-romana — os papiros mágicos gregos, as práticas de Isis e Hecate, os rituais de Marte e Vénus. Depois vieram os visigodos com as suas tradições germânicas, os árabes com a sua alquimia e astrologia, e os judeus com a cabala. O Livro de São Cipriano é o resultado desta sedimentação de milénios.
São Cipriano de Antioquia — O Feiticeiro Original
A figura histórica a que o livro é atribuído é São Cipriano de Antioquia — um feiticeiro do século III que se converteu ao Cristianismo após os seus poderes falharem perante a fé de Santa Justina. Antes da conversão, Cipriano tinha estudado magia no Egipto, na Grécia, na Caldeia e na Frígia — tornando-se o maior feiticeiro da sua época.
A tradição diz que, ao converter-se, Cipriano não destruiu o seu conhecimento — antes o codificou e o transmitiu, transformando-o numa ferramenta ao serviço do bem. É este paradoxo — o mago que usa o seu saber das trevas para servir a luz — que torna São Cipriano o patrono ideal dos praticantes de magia em Portugal.
O Primeiro Manuscrito Português
A primeira referência documentada ao Livro de São Cipriano em Portugal está num pergaminho da Torre do Tombo. O documento menciona um livro que "continha fórmulas mágicas e encantamentos ancestrais dos Fenícios, dos Mouros, dos Assírios, dos Caldeus e dos Hebreus" — uma descrição que aponta para uma compilação de tradições mágicas de toda a bacia mediterrânica.
Este manuscrito circulou durante séculos em cópias manuscritas, transmitidas de praticante em praticante, de curandeira em benzedeira, de feiticeiro em feiticeiro — sobrevivendo à Inquisição precisamente porque circulava em segredo.
A Edição Impressa do Século XIX
A versão impressa do Livro de São Cipriano que chegou até nós foi publicada no século XIX — primeiro no Brasil, depois em Portugal. Esta edição compilou os manuscritos circulantes e adicionou material novo, criando a versão que hoje conhecemos.
É importante entender que existem múltiplas versões do livro — a portuguesa, a galega, a brasileira, e a versão da "Bruxa de Évora" são as mais conhecidas. Cada uma tem as suas especificidades, mas todas partilham um núcleo comum de práticas e ensinamentos.
A Versão da Bruxa de Évora
Uma das versões mais famosas do Livro de São Cipriano em Portugal é a associada à "Bruxa de Évora" — uma praticante lendária do século XVI cujos manuscritos terão sido incorporados em versões posteriores do livro. Esta versão tem um carácter particularmente português, com referências a locais, plantas e entidades específicas da tradição ibérica.
O Livro Hoje
O Livro de São Cipriano continua a ser estudado e praticado em Portugal. O Mestre Cruz é um dos seus praticantes mais experientes — estudou o livro durante décadas e aplica os seus ensinamentos a situações reais. Nesta secção do Grimório, desenvolvemos todo o conteúdo do livro com a profundidade e a aplicação prática que ele merece.
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